Cidade a (re)descobrir

 


     Saber qual o grau de conhecimento que os guardenses têm da sua cidade e outrossim da história e património local constitui, indubitavelmente, um bom tema para uma sondagem.


     Os resultados seriam, sem dúvida, interessantes, sabendo que, pela observação empírica do cidadão comum, não é difícil adivinhar o sentido desses indicadores.


     Verifica-se, sobretudo ao nível dos escalões etários mais jovens, um grande desconhecimento sobre o passado da Guarda e o seu património mais expressivo.


     Evidentemente que, com esse distanciamento e falta de ligação entre o passado e presente se torna mais difícil a consciencialização em torno da necessidade de defesa da identidade local, e a afirmação de um espírito crítico, empenhado numa permanente defesa da memória colectiva; em termos de salvaguarda da sua identidade muito foi já dito e escrito, bastando atentar na realidade urbanística para reavivarmos as ideias.


     É certo que, nos últimos anos, foram publicados diversos trabalhos cujo contributo é inequívoco para a guarda das memórias citadinas e divulgação das suas múltiplas facetas, buriladas ao longo de séculos; outras acções (recordemos os “Passos à volta da Memória) têm igualmente sensibilizado as pessoas em relação à história da cidade. Contudo, é fundamental continuar a percorrer o caminho, incrementando os desafios à “descoberta” da cidade, por parte dos seus habitantes. E não se julgue que esse conhecimento ficará bem apenas a alguns, pois ele é importante para todos, sobretudo para quem tem responsabilidades educativas.


     Como se poderá gostar e pugnar por uma terra se, verdadeiramente, ela continua a ser estranha, mero enquadramento geográfico de uma actividade ou de uma residência? Ou será que esse conhecimento terá apenas validade quando determinado pelas estruturas institucionais?


 


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