(De)Missão TMG



     Américo Rodrigues deixou de exercer, ontem, as funções de Director do Teatro Municipal da Guarda (TMG), na sequência da sua demissão pelo Presidente da Câmara Municipal.


     De acordo com a explicação apresentada por Américo Rodrigues, através da sua página no Facebook, “o pretexto para a demissão, feita por telefone, foi a convocatória que fiz para uma conferência de imprensa onde tencionava esclarecer um processo de contratação artística”. Este processo (de contratação artística) tem a ver com o espectáculo agendado para o próximo dia 27 de Novembro, Dia da Cidade, o qual foi objecto de notícia na comunicação social, como é do domínio público.


     A demissão causou, naturalmente, reacções diversas mas facilmente se percebe que emerge uma postura de discordância face a esta decisão e, sobretudo, ao modo como se interrompeu um projecto,  uma estratégia no plano da cultura.


     Sobre Américo Rodrigues, e em relação ao seu papel de intervenção cultural, escrevemos já em diversas ocasiões; assim, estas palavras não são de mera circunstância solidária ou de impulso para notoriedade mediática...basta reeditar alguns textos, devidamente identificadas quanto à autoria (há quem continue a nutrir doentia paixão pela capa do anonimato), para deixarmos este registo.




     Quem, com uma carreira de mais de trinta anos na área da animação e da cultura, se tem empenhado na afirmação e valorização da Guarda, na recuperação de tradições ou de todo um imaginário com raízes ancestrais deve merecer o apoio e o apreço dos seus concidadãos; esse patamar individual foi conquistado com trabalho, determinação, competência e com um férrea vontade de serem ultrapassadas as dificuldades ou obstáculos, de natureza diversa, ao longo de anos.


     O panorama cultural da Guarda de hoje é notoriamente diferente do período que antecedeu a abertura do TMG e, para esse desenvolvimento, houve todo um trabalho anterior, conhecido, documentado.


     Há, certamente, quem tenha discordado e repudie as suas opções, as suas ideias, o seu modo de ser e de estar; Américo Rodrigues é igual a ele próprio. Inteligente, frontal, culto, irreverente, emotivo, dinâmico, criativo, competente.


     Estas características não são apenas de hoje mas de sempre; são reconhecidas por quem tem acompanhado o seu percurso desde os tempos de estudante, da Casa da Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ, da fundação do AQUILO e de outras iniciativas que deixaram marca na cidade e região. Haja memória!...


     É na Guarda da memória do seu papel e contributo em prol do desenvolvimento cultural da cidade e região que se justificam, hoje, estas considerações, agora que deixou a direcção do Teatro Municipal. A Guarda deve reconhecer o mérito de quem a serve e abraça a suas causas.


     Há dois anos atrás, como muitos se recordam, Américo Rodrigues recebeu a medalha de mérito do Ministério da Cultura. Como escrevemos, então, esse foi mais um reconhecimento externo pelo trabalho desenvolvido em prol da cultura, da Guarda, do interior; foi também uma resposta expressiva a alguns críticos, eternos ausentes das iniciativas realizadas e indiferentes às múltiplas propostas nesta área.


     Aceita-se a divergência de ideias e posições mas isso não pode dar lugar ao menosprezo pelo trabalho realizado, à maledicência ou à calúnia, como se tem visto, nas últimas horas, numa rede social ou na blogosfera.


     Obviamente que isso não afectará, por aí além, o visado quando há trabalho feito e análises serenas sobre o seu percurso e idoneidade profissional.


     Há que sonhar novas madrugadas, pensar novos horizontes onde se afirmem os ideais do Rebeldino, combatente da liberdade, defensor da instrução, do trabalho e da cultura.


    Este é um eco que vem já de “O Combate”, advertimos, desde já, os mais propensos a leituras rápidas ou que não gostam ir além do presente... E é fundamental que não se esqueça a missão e a dimensão do TMG!



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