Ex-libris de vinha centenária destruída pelo fogo

 


Um dos anos mais devastadores em termos de incêndios florestais, no nosso país, ditou o adeus forçado a uma vinha centenária localizada na Mêda.


Vinha queimada em Mêda 


Esta vinha dava origem ao Permitido Branco de Centenária, um vinho ímpar no portefólio do grupo Márcio Lopes Winemaker. Apesar dos esforços imediatos, a perda é irreversível.


Uma das últimas colheitas já está a chegar ao mercado, em número limitado de garrafas; altas pontuações de críticos internacionais motivam o enólogo português.


Entretanto, o trabalho de recuperação da vinha já está em curso, no rescaldo dos incêndios de agosto, mas fica para a história a singularidade do Permitido Branco de Centenária, criado a partir de 15 castas de vinhas plantadas a 800 metros de altitude, em solo puramente granítico, no final do século XIX.


A colheita de 2022 já está a chegar ao mercado, antecedendo as derradeiras colheitas - de 2023 e 2024 -, todas em número muito limitado de garrafas, permitindo aos apreciadores guardar as últimas memórias deste vinho excecional.


“É uma notícia muito triste. O Permitido Branco de Centenária foi um vinho extraordinariamente bem-recebido pela crítica. Apesar da perda, compensámos o viticultor face à longa ligação que mantém com o nosso projeto, respeitando o nosso compromisso de fairtrade. Já estamos a trabalhar na recuperação, permanecendo vivas as memórias deste vinho e, com elas, a certeza de que iremos escrever novas histórias”, salienta Márcio Lopes.


Marcio Lopes Winemaker 


Apesar deste revés, o verão de 2025 trouxe resultados positivos e confirmações importantes, com altas pontuações de críticos nacionais e internacionais para várias referências do produtor experimentalista.


O espírito inovador e a motivação de Márcio Lopes, um dos maiores especialistas portugueses em vinhas velhas, permanecem inalterados.


O projeto Márcio Lopes Winemaker surgiu em 2010, com a missão de “fazer vinhos especiais que façam sobressair o melhor que a natureza tem para dar”. O produtor detém atualmente a Adega Pequenos Rebentos em Melgaço (na região dos Vinhos Verdes), a Quinta do Pombal em Vila Nova de Foz Côa e a Quinta do Malhô em São João da Pesqueira (ambas na região do Douro), exportando vinhos para mais de 20 países.


O CEO e enólogo do grupo trabalha igualmente com as uvas de viticultores selecionados, focando-se em preservar vinhas velhas com respeito pelos sistemas antigos de vinha e maioritariamente sem o uso de herbicidas e pesticidas. Na adega, recorre normalmente a leveduras indígenas e usa baixos aditivos de sulfuroso.


 


 

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